Escuta comparada: Lua Branca (Chiquinha Gonzaga)
O exercício de escuta comparada de arranjos musicais é relevante para o estudo desta vertente criativa. Em postagem anterior, realizamos esse exercício com Ernesto Nazareth.
Agora, vamos realizar exercício semelhante com uma obra de Chiquinha Gonzaga (1847-1935): Lua Branca. Criada originalmente para uma opereta chamada Forrobodó, a peça também foi difundida em uma partitura para piano. Essa própria partitura, assim como outras em circulação, evidenciam como a obra, uma canção de música popular urbana, é permeável a diversas versões.
As versões para piano, como a apresentada no vídeo a seguir, refletem a concepção da autora, com a junção de elementos da música popular e das técnicas do piano do século XIX.
O lirismo da composição é reforçado em sua versão cantada, cuja letra em linguagem rebuscada, desenvolve o diálogo de uma personagem com a lua, enquanto suplica por um amor perdido. A partir dessa temática, a canção tem sido constantemente recriada e reinterpretada. Na versão a seguir, com a cantora mineira Luiza Lara, o acompanhamento de violão e acordeon mantém a harmonização original, desenvolvida em variações texturais para cada repetição da estrutura da canção em duas partes. Também é adicionado um pequeno interlúdio (ou seja, uma parte instrumental entre estrofes). Outra peculiaridade do arranjo é a finalização, com uma delicada progressão harmônica.
Em se tratando de versões puramente instrumentais, Lua Branca também tem sido bastante explorada por arranjadores. Na versão a seguir, para quinteto de cordas, o lirismo da obra é explorado a partir da gama de possibilidades desses tradicionais instrumentos orquestrais. A escrita explora sonoridades distintas para as partes da canção: na primeira parte e na terminação da segunda parte, em tom menor, gestos dramáticos com arco; na segunda parte, brevemente em tom maior, o uso de pizzicato, para uma abordagem mais divertida e leve. Trata-se de um arranjo breve, em que as duas partes da canção são emolduradas por uma introdução e uma coda originais.
Por fim, trago uma versão para orquestra de flautas. A escrita aqui tem caráter de adaptação quase direta das partituras para piano. Destaca-se aqui a particularidade da sonoridade para um conjunto composto inteiramente por instrumentos de uma mesma família. Observe as flautas mais graves que aparecem na segunda fileira do grupo e, na segunda parte, o destaque dado ao flautim, que executa um contraponto agudo à melodia principal.
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