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Invenção de relações entre música e cena: além da gestualidade da execução musical

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Em entrevista concedida a Jean-Yves Bosseur em 1971, Mauricio Kagel afirmava que, muitas vezes, a concepção de uma obra musical parte da imaginação de uma situação. Entende que situações entre músicos são musicais em sentido teatral, sendo possível compor essas situações antes mesmo que uma concepção sonora esteja prefixada. Georges Aperghis expressa ideia semelhante, quando afirma que se propõe a inventar formas de relação entre música e teatro distintas daquelas herdadas da ópera ou do concerto. O campo aberto pelas reflexões desses dois expoentes do teatro instrumental e teatro musical pós-1960 envolve dimensões como o espaço cênico, a ressignificação do músico como ator e a dramaturgia da performance. A ressignificação do músico como ator, tema dessa postagem, passa pela gestualidade da própria performance instrumental ou vocal e pode ir além, com a inclusão de ações não vinculadas à execução musical. Refiro-me, por um lado, a inserções efêmeras e submetidas ao fluxo sonoro, ...