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Mostrando postagens de 2018

"Desenvolvimento da percepção das vozes da harmonia"

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Espaço de trabalho da Oficina de Criatividade Sonora na sala 7 do bloco B, UFT-Palmas Em encontros nos dias 28 de setembro e 9 de novembro de 2018, explorei juntamente com o estudante Gerlandio Pereira de Morais possibilidades da criação vocal harmônica em mídia fixa. Nas primeiras conversas, ficou claro o interesse do Gerlandio pela expressão vocal. Ele traz um conhecimento intuitivo de referências vocais do canto lírico, interesse pelas sonoridades vocais e instrumentais sustentadas e experiências de exploração da reverberação acústica de sua voz em diferentes ambientes. Como primeiro exercício, experimentamos gravar, com playback , uma interpretação de Gerlandio para a ária "O mio babbino caro", de Puccini. Originalmente um lamento da personagem Lauretta na ópera Gianni Schichi , o número se popularizou como canção lírica após gravações das mais importantes sopranos do século XX e, ainda mais, como artefato independente na era da internet. Recorrendo ao seu co...

Duas perguntas com um concerto só

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As orquestras e conservatórios dedicam-se fielmente ao estudo, interpretação e difusão de obras dos grandes mestres dos séculos XVIII e XIX, tais como Haydn, Mozart e Beethoven. A tal ponto que pouco nos damos conta de questões fundamentais como: o que, de fato, significa ouvir a música de concerto europeia do período clássico hoje em dia? Por outro lado, uma grande parcela da música de concerto produzida a partir da segunda metade do século XX fica sumariamente excluída deste mesmo circuito. Pelos padrões gramaticais de organização tonal e rítmica dos materiais que caracterizam a hegemônica música clássica, essa produção mais recente tende à não-música. Mas qual o sentido expressivo das investigações sonoras dos compositores da segunda metade do século XX, frente à tradição? Esse duplo questionamento é particularmente caro aos que se dedicam à composição musical na atualidade. Entretanto, na maior parte do tempo permanecemos sem propostas claras para comunicar o senso de profundid...

Assista com um sorriso no canto da boca

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Sensores sensoriais desempenham papel de destaque nas investigações composicionais de Alexander Schubert . O compositor alemão dedica-se à exploração desses dispositivos peça após peça, forjando uma estética audiovisual para a sala de concerto e uma prática performativa própria em que as implicações sonoras dos gestos extrapolam a técnica de execução instrumental. Em Serious Smile (2014) ele se permite, inclusive, uma espécie de piada relacionada a esse aspecto técnico de sua prática composicional. A piada se materializa na figura de um regente que, de fato, é prioritariamente um executante via sensores. Claro que, como o título da peça explica, é uma piada auto-consciente, um comentário do compositor sobre as implicações do seu trabalho para a experiência da música de concerto. Concebida e desenvolvida sob os auspícios do IRCAM , com seus experimentados realizadores computacionais, as soluções técnicas são impecáveis e intimamente conectadas à principal qualidade da composiçã...

Coletivo N-S-L-O contemplado no Rumos 2017-2018

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O Itaú Cultural divulgou nesta segunda, dia 28 de maio de 2018, a lista de projetos contemplados no edital Rumos 2017-2018. [ Lista completa ] O projeto Coletivo N-S-L-O: colaboração compositor-intérpretes na criação musical contemporânea, proposto por mim, está entre os selecionados. A proposta vai proporcionar a colaboração com 4 músicos que conheci em Porto Alegre, no contexto do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Gina Arantxa (flautista, Cali-Colômbia), Renan Simões e Sabrina Souza (violonistas, Mossoró-Rio Grande do Norte) e Dario Rodrigues Silva (pianista, Ribeirão Preto-São Paulo). O objetivo artístico é a criação gradativa de um repertório original baseado na interação, no potencial expressivo e em experiências compartilhadas pelos músicos. A execução do projeto, distribuída ao longo de 24 meses, será concretizada em cinco viagens do coletivo, com realização de concertos e atividades de formação e intercâmbio nas cidades...

Percussão, linguagem e teatralidade em "Graffitis", de Georges Aperghis

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Para o compositor grego radicado na França Georges Aperghis , o trabalho a que se propõe é de inventar maneiras de relacionar música e teatro distintas daquelas herdadas da ópera ou do concerto. Em seu teatro musical, tanto uma situação teatral é apresentada e desenvolvida como performance musical, quanto gestualidade e visualidade da performance musical são desenvolvidas a ponto de adquirir sentido teatral. O compositor investe no deslizamento entre performance (apresentação de ações inerentes ou não à execução vocal e instrumental) e representação (construção ou sugestão de uma narrativa ficcional no espaço cênico). Em Graffitis (vídeo abaixo), Aperghis enfrenta as demandas cênico-musicais a partir de um mesmo conjunto de procedimentos composicionais, com operações de fragmentação, construção gradativa e interpolação de materiais. O material vocal da peça é construído, inicialmente com sílabas onomatopaicas e, depois, com um pequeno trecho do Fausto de Goethe, fragmenta...

GOOOOOOLLLL! É de Gilberto Mendes!

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Em  Santos Football Music (1969), a teatralização da situação de performance orquestral é construída a partir da releitura que Gilberto Mendes realiza de ações, relações e sonoridades implicadas em uma partida de futebol. A ressignificação da sala de concerto como espaço cênico e a inserção do público no roteiro de ações para concretização da performance são os principais interesses composicionais que pautam meu diálogo com essa peça específica. A leitura mais imediata ‒ e coerente com o que se sabe da intenção expressiva e recepção inicial ‒ é que a peça contém um episódio cênico. Entretanto, é possível considerar a teatralidade como dimensão estética de seu todo. Essa leitura remete primordialmente às escolhas composicionais de Gilberto Mendes para envolvimento do público. O compositor age sobre os sentidos construídos pela disposição espacial dos envolvidos na performance. Na sala de concerto, a relação palco-plateia implica na separação entre o espaço de performance ...

Compor é uma coisa, falar sobre isso é outra!

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Em ensaio publicado originalmente em 1960, o compositor estadunidense Elliott Carter comenta os objetivos expressivos e os procedimentos técnicos da música que compunha à época, especialmente o seu primeiro quarteto de cordas (ver vídeo ao final da postagem). Carter faz questão de iniciar o discurso apresentando suas reservas sobre a capacidade do compositor de comentar de maneira relevante sua própria música. Quando eu concordei em discutir os procedimentos rítmicos que eu uso na minha música, eu tinha esquecido, por um momento, as sérias dúvidas que tenho exatamente sobre esse tipo de discussão quando realizada pelo próprio compositor. Que um compositor possa escrever música que se considera de certo interesse não é, obviamente, nenhuma garantia de que ele pode falar sobre ela de maneira esclarecedora. É especialmente difícil para ele ser claro porque inevitavelmente suas composições são o resultado de inúmeras escolhas - muitas inconscientes, muitas conscientes, algumas feitas ...

Combustível para a imaginação

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O planejamento já existia. A divulgação estava programada para setembro. Mas as ideias, mesmo quando estão apenas em nossa cabeça, já começam a reverberar e a se materializar. Foi assim que hoje aconteceu, de forma improvisada e imprevista, o primeiro encontro da Oficina de Criatividade Sonora da UFT, futuro projeto de extensão, ainda sem registro formal, que funciona como ponto de encontro, reflexão e prática para cancionismo, composição, arranjo, improvisação e desenho sonoro. Leia uma breve descrição do projeto aqui . A conversa com o cancionista Norberto Noleto foi agendada despretensiosamente e revelou-se, afinal de contas, inevitavelmente, como primeiro evento da OCriS. Pausa para comentar o nome: segue a tradição da UFT de siglas que formam palavras, porém de maneira um pouquinho mais enigmática. Ocris, do latim, montanha rústica, pedregosa. Isolamento do criador? O tempo que leva para chegar às suas formas? Ver tudo de cima? São muitas as analogias possíveis com o process...